Luis Vaz de Camões

Luis Vaz de Camões

Partes da Mensagem


Primeira Parte da Mensagem: Brasão


D.SEBASTIÃO REI DE PORTUGAL

Louco, sim, louco, porque quiz grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
 
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Análise:
Neste poema, Fernando Pessoa pretende relembrar o Rei português D Sebastião. Este é referido como sendo louco, deixando-se levar pela sua imensa sede de glória e grandeza. D. Sebastião lançou-se numa campanha contra os mouros, acabando por morrer na batalha de Alcácer Quibir.
Porém, numa segunda fase do poema, D. Sebastião é glorificado, pois sem essa loucura referida na primeira estrofe, sem essa capacidade de sonhar, em que se iria o ser humano diferenciar? É com esta questão que Fernando Pessoa termina o seu poema…

 

Segunda Parte da Mensagem: Mar Português


Padrão
O esforço é grande e o homem é pequeno
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
este padrão ao pé do areal moreno
e para deante naveguei.
 
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão signala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por fazer é só com Deus.
 
E ao immenso e possível oceano
Ensinam estas quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é portuguez.
 
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.

Análise:

O Padrão é um monumento em pedra, com uma cruz e cinco quinas gravadas, que era erguido pelos navegadores nas terras descobertas.
Neste poema, Fernando Pessoa coloca-se na pele do próprio Diogo Cão, e este afirma ter erguido um padrão português que assinalara que aquela terra tinha sido descoberta pelos portugueses.
Na última estrofe, Diogo Cão afirma ter vontade de navegar mais longe porque haverá sempre algo para descobrir e só descansará quando chegar ao porto final (quando morrer).

Terceira Parte da Mensagem: O Encoberto


O DESEJADO
Onde quer que, entre sombras e dizeres,
Jazas, remoto, sente-te sonhado,
E ergue-te do fundo de não-seres
Para teu novo fado!

Vem, Galaaz com pátria, erguer de novo,
Mas já no auge da suprema prova,
A alma penitente do teu povo
À Eucharistia Nova.

Mestre da Paz, ergue teu gládio ungido,
Excalibur do Fim, em geito tal
Que sua Luz ao mundo dividido
Revele o Santo Gral!


Análise:

Neste Poema Fernando Pessoa apela para que, onde quer que esteja a alma de D. Sebastião, ele regresse pois os portugueses esperam por ele.
Na frase "Galaaz com pátria"- O Desejado, D.Sebastião é equiparado a Sir Galahad, o cavaleiro virgem do Ciclo da Távola Redonda a quem foi dado conhecer o Santo Graal. A origem de Galahad era desconhecida (não tinha pátria) embora na verdade fosse filho de Sir Lancelot.
Quando Fernando Pessoa diz "erguer a alma do teu povo à Eucaristia Nova", apela para que o Rei traga a Portugal a Nova Religião (Pessoa referiu-se várias vezes em outros escritos ao seu sonho de uma nova religião popular de cariz helénico).
O poeta refere-se a D. Sebastião comio o"Mestre da Paz", sendo ele o Senhor do 5º Império.
"Excalibur do Fim", apresenta-nos a simbologia do fim do mundo tal como o conhecemos.
A frase "revele o Santo Graal", Fernando Pessoa faz mais uma referência ao Nito de Camelot, pois no Ciclo da Távola Redonda, o Graal desapareceu como castigo do amor adúltero de Guinevere e Lancelot e com ele foi-se a felicidade do Reino. O retorno do Graal representaria, pela mesma lógica, a união, paz e felicidade de todos os povos do mundo.